Estratégias para promoção do desenvolvimento infantil ganham destaque na pandemia

A visitação domiciliar, uma das principais estratégias de atendimento preventivo e de cuidados em saúde materno infantil adotadas pelo Primeira Infância Melhor (PIM) e pelo Programa Criança Feliz (PCF) – sobretudo para famílias de difícil acesso e em situação de vulnerabilidade social – passou por adaptações durante o período de pandemia pela COVID-19. A necessidade do distanciamento social desafiou estes programas a encontrar alternativas para a continuidade do trabalho pela primeira infância no estado. O atendimento remoto foi uma das estratégias adotadas, fazendo uso das tecnologias da comunicação.

O Primeira Infância Melhor (PIM) e o Programa Criança Feliz (PCF), considerados como programas essenciais vinculados à Atenção Primária à Saúde e a Proteção Social Básica, respectivamente, mantiveram suas ações nos territórios, em articulação com os demais serviços da rede, respeitando as orientações e regulamentações das autoridades sanitárias, em especial, às normativas municipais. 

Algumas destas ações, que contribuiram para famílias e comunidades superarem as adversidades decorrentes do período, foram reconhecidas nacionalmente  com o “Prêmio Parentalidade: boas práticas de visitadores na pandemia” promovido  pelas fundações Maria Cecília Souto Vidigal e Bernard van Leer, através programa Olhar para as Diferenças. No estado, o Prêmio Salvador Celia, premiou “Iniciativas criativas na atenção à primeira infância em tempos de coronavírus”, promovido  pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul, através do Departamento de Ações em Saúde (DAS), por intermédio das coordenações da Atenção Básica e Primeira Infância Melhor (PIM) / Programa Criança Feliz (PCF), a referida premiação está em sua 10 edição. 

As adversidades produzidas pelo período da pandemia impactam as famílias  de diferentes formas. “Para manter o acompanhamento às famílias, as equipes municipais têm adotado diferentes arranjos organizacionais, seja por meio do atendimento remoto ou das visitas domiciliares, um desafio ao qual se acrescenta o cuidado em assegurar atendimento com planos individualizados às famílias, sem que nenhuma deixe de receber  atenção”, salienta Carolina de Vasconcellos Drügg, coordenadora-adjunta do PIM. “Terminamos o ano com a certeza de que as ações promovidas pelas equipes do PIM/PCF no estado contribuíram para a mitigação dos efeitos da pandemia. O exercício de reorganização das estratégias de intervenção as famílias permitiu aos visitadores manterem as orientações sobre aspectos relacionados à gestação e ao desenvolvimento infantil, reforçando suas potencialidades e incentivando-as a reconhecerem em seu ambiente recursos para o desenvolvimento do brincar. As ações premiadas são exemplos de que o acompanhamento remoto mostra-se como possibilidade para a continuidade da atenção às famílias”, conclui Carolina.

Confira as boas práticas realizadas pelos municípios neste ano.

O resgate das brincadeiras do passado em Teutônia

O visitador, Nilo Edmilson Liessem Jacinto, do município de Teutônia, teve ação premiada baseada no “brincar espontâneo”, onde nem sempre se coloca um objetivo na atividade lúdica, seria um momento em que a criança brinca de forma livre e seus pais ou cuidadores apenas observam. A atividade buscou  incentivar os cuidadores  a resgatarem brincadeiras de suas próprias infâncias para apresentar às crianças. “Certa vez uma mãe me deu retorno de seus filhos brincando com pandorgas improvisadas com sacolas plásticas, em um dia de bastante vento. A mãe contou que em sua infância humilde no interior, ela e as irmãs se deslocavam até um campo aberto, também em um dia ventoso, amarravam um barbante em sacolas plásticas e se divertiam por horas com as pipas improvisadas. Então, através da minha prática ocorreu um movimento grande dentro da família, pois era algo proposto para os filhos, mas toda família acabou se envolvendo”, relatou Nilo. A articulação com a Rede Nacional Primeira Infância foi primordial nesta pandemia, juntamente com o apoio das agentes comunitárias de saúde, CREAS e CRAS.

Nilo Liessem, afirma que seu trabalho no território foi de suma importância, no sentindo de não ter abandonado essas famílias, continuar dando o suporte adequado para elas. “No meu caso, consegui manter contato ativo com todas as famílias que atendo, me disponibilizando 24h por dia, seja por WhatsApp, Facebook, chamada de vídeo ou ligação telefônica. Nós do Primeira Infância Melhor (PIM), fomos e somos o grande apoio para essas famílias nesse momento em que todos nós tivemos que nos reinventar, o PIM se fortaleceu como nunca” encerrou o visitador.  

Família do município de Teutônia realizando a atividade proposta pelo visitador Nilo Edmilson Liessem Jacinto.

Cuidado das emoções em tempos de pandemia- Covid-19 em Parobé

Pelo município de Parobé, a visitadora Elisandra Simonett realizou ação que engloba folder informativo: este com objetivo, de levar orientação de maneira lúdica sobre a prevenção a Covid-19. Reconhecendo as emoções através dos personagens do filme “Divertidamente”, que por sua vez, trabalha as emoções básicas (alegria, tristeza, raiva, nojo, medo). Também foi desenvolvida uma atividade retirada do site da FMCSV, chamada “Covid-19: Cuidados Parentais”. Com menores de 1 ano foi intensificado as orientações junto aos cuidadores e com as crianças a partir de um ano foi desenvolvida uma atividade intitulada “5 passos para manejar emoções intensas” com indicativo de usar a própria mão para seguir os passos, e, também, uma técnica de respiração. Essas práticas foram realizadas pela própria visitadora via WhatsApp ou visita domiciliar com as devidas medidas de segurança. “As famílias ficaram responsáveis em registrar, da maneira que achassem melhor, e enviar para sua visitadora, ou relatar a experiência, na visita seguinte. Aquelas que conseguiram fazer as atividades, tiveram uma melhora significativa em suas interações. Além disso, foi percebido que as crianças participantes aderiram mais as atividades remotas. Entende-se que este trabalho contemplou não apenas os pequenos de zero a seis anos, mas também seus irmãos mais velhos e cuidadores, fortalecendo o vínculo familiar e o cuidado com as crianças”, afirma Elisandra.

 As ações foram iniciadas em abril deste ano e seguem em andamento. A equipe de   Assistência Social do município deu apoio nas práticas, principalmente na impressão do material informativo lúdico (folders). “Eu me enxergo como uma facilitadora, isto é, uma ponte que colabora na promoção do desenvolvimento integral de crianças e seus principais cuidadores. No período da pandemia, estou contribuindo para disseminação de informações confiáveis sobre o novo Coronavírus, observando e orientando sobre as consequências psicológicas em situações de distanciamento social, durante este período tão atípico”, finalizou a visitadora.

Criança do município de Parobé, atendida pela visitadora Elisandra Simonett , expressa suas emoções através de desenho.

As tecnologias dão continuidade ao trabalho humanizado em Alvorada

Sirlei de Jesus Vaz Sousa, visitadora do município de Alvorada foi uma das vencedoras do Prêmio Parentalidade: boas práticas de visitadores na pandeeer Foundation.mia, promovido pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e Bernard van L A integrante do grupo técnico municipal (GTM), do Primeira Infância Melhor (PIM), venceu o prêmio nacional com a boa prática de “atendimento híbrido”. Ação consiste em se aliar as tecnologias para dar continuidade ao trabalho humanizado. Através do WhatsApp e outras redes sociais rede sociais, foi possível manter o contato com as famílias do bairro Nova Americana. Essas visitas online permitiram que a visitadora continuasse auxiliando o desenvolvimento integral das crianças atendidas. Com a volta das visitas presenciais, seguindo os protocolos de segurança estabelecidos pelo Governo, as crianças eram presenteadas com brinquedos planejados junto a equipe, conforme idade das crianças e confeccionados por Sirlei com material reciclado. Todas as orientações de prevenção ao COVID-19, foram seguidas com uso de planilhas digitais criadas pelo PIM de Alvorada.

Sirlei Sousa, afirma que procura sempre realizar seu trabalho com amor e dedicação. “Trabalho para que principalmente as crianças sejam as maiores beneficiadas em tudo. E que todas as famílias atendidas sobrevivam, vivam melhor, mesmo neste tempo difícil de pandemia”, encerrou a visitadora

Visitadora Sirlei de Jesus Vaz Sousa, de Alvorada mostra certificado de premiação.

 “Famílias-PIM”: grupo no WhatsApp impacta famílias de Santa Bárbara do Sul 

A visitadora do Primeira Infância Melhor (PIM) de Santa Bárbara do Sul, Mainara Martins, durante a pandemia teve a ideia de criar um grupo no WhatsApp nomeado de “Famílias-PIM”, na tentativa de manter o contato e apoio necessário à eles. Após serem adicionados ao grupo todos os que possuíam acesso ao aplicativo, nestes foram compartilhadas atividades, orientações, dúvidas e fotos, praticamente todos os dias. “Esta praticidade impactou de uma forma positiva nas famílias, elas se sentem confiantes, trocam experiências entre elas, e além do grupo conversam comigo no particular sempre, falamos sobre vacinas, indicadores da faixa etária da criança, entre outros muitos assuntos. A ideia de criar este grupo foi minha mas achei pertinente compartilhar com as minhas colegas e muitas delas também gostaram e estão fazendo uso também.”, explica Mainara.

Ação começou no início da pandemia e ainda segue em livre demanda. O restante da equipe do PIM local esteve envolvida na atividade, dando todo suporte possível ao trabalho da visitadora. Ela consegue se ver hoje no município como um apoio e incentivo às famílias com relação à primeira infância. “Principalmente neste período de pandemia onde estamos todos mais vulneráveis a tantos sentimentos e dificuldades, muitas vezes uma palavra, um gesto de carinho já ajuda muito uma família. Conquistei diversas coisas no PIM, porém sei que ainda tenho muitas plantas boas para colher, é um trabalho de formiguinha, mas a gente sempre chega lá”, finalizou Mainara. 

Visitadora Mainara Martins, de Santa Bárbara do Sul, recebe balão comemorativo ao prêmio parentalidade de seus (suas) colegas da equipe do PIM.

O estímulo da coordenação motora infantil é foco em Rio Grande

Juliana Botelho Garcia, visitadora do Primeira Infância Melhor (PIM), de Rio Grande, realizou ação que consiste em dar seguimento ao estímulo de coordenação motora de uma criança de dois anos de idade, de modo virtual. “Quando a pandemia chegou fiquei bem aflita, porque com as visitas presenciais, o progresso do PH (nome fictício) era lento, mas com a ajuda da tecnologia e a facilidade de nos comunicarmos pela internet, eu e a mãe dele continuamos trabalhando juntas para o desenvolvimento da criança, nós duas conversamos bastante neste período. Eu orientava a deixar ele comer sozinho, além de incentivá-la a estimular a fala de seu filho”, explica Juliana Botelho.

A boa prática teve início em abril e ainda segue em execução, via WhatsApp. Mesmo virtualmente, a visitadora marcou um dia específico da semana para atender a família, mas se coloca disponível sempre que eles precisam. Isto permite que os cuidadores compartilhem com Juliana as superações e atividades realizadas com as sugestões propostas por ela, que anteriormente a criança não conseguia concluir sozinha. “Como visitadora do PIM, não sou apenas a “tia” que leva atividades pras crianças, mas sim, aquela que escuta as mães quando estão com problemas, que faz o possível para esclarecer dúvidas, que as incentiva como mães, cuidadoras, mulheres e esposas. Eu entendo que não é fácil para uma mãe lidar sozinha com as limitações ou deficiências do filho, mas procuro lembrá-las o quanto são importantes na vida dessas crianças e que amo cada integrante das famílias que atendo”, finalizou a visitadora.

Visitadora Juliana Botelho Garcia, de Rio Grande

Família com dez integrantes continua sendo atendida em Rio Grande

A visitadora do Primeira Infância Melhor (PIM), Tainara Pinheiro Prestes, deu apoio para uma família de dez pessoas via WhatsApp,  articulando ações por meio da rede de serviços de saúde pública. Além disso, nos encontros remotos que ocorrem uma vez por semana, a visitadora indica atividades para as crianças como confeccionar brinquedos com materiais recicláveis, desenhar livremente para estimular a imaginação.“ Durante a hora do conto virtual,por meio de chamadas de vídeo, eu leio histórias para as crianças que se mostram muito felizes com o momento de ludicidade e que, também, servem para relembrar a família sobre os cuidados com a Covid-19. Todas as atividades são debatidas com a família em cada visita, assim conseguimos fazer uma análise do avanço no desenvolvimento das crianças”, afirma a visitadora.  

A ação promovida pela equipe municipal do PIM começou mutuamente com a pandemia e segue em andamento. “Enquanto visitadora, acredito que nosso papel é de suma importância, tanto para passarmos informações corretas para o bem estar dessas famílias, quanto para manter vivo o engajamento e afeto delas”, dissertou Tainara.

Visitadora Tainara Pinheiro Prestes, de Rio Grande.

Integração entre cuidadores e crianças é estimulada em Caxias do Sul

A visitadora do Primeira Infância Melhor (PIM) de Caxias do Sul, Gabriela San Martins Vaz, começou no final do mês de julho o envio de kits com atividades prontas para as crianças realizarem junto aos cuidadores, assim como nas visitas domiciliares promoveu a entrega de cesta básica fornecidas pela assistência social. Os materiais foram entregues pela visitadora com dia marcado, uma vez por mês no portão das casas das famílias, respeitando o distanciamento de um metro. “O combinado foi realizar contato uma vez por semana com os principais cuidadores para questionar como a família está nesse período e se concluíram a atividade proposta na semana anterior ou se existe alguma demanda em relação a saúde e assistência social. Também foi criada uma pesquisa de satisfação pelo aplicativo Google Forms, podendo ser respondida de forma anônima, para saber como estavam os atendimentos adaptados”, relata Gabriela. 

As Unidades Básicas de Saúde dão suporte tanto para informações quanto para fazer a ponte entre a rede e as famílias. As integrantes do Grupo Técnico Municipal do PIM, Valeska Molardi (representante da Secretaria da Saúde), Andrea Silva (representante da Secretaria da Educação) e Henriette Giesel (representante da Assistência Social), estão constantemente presentes nas decisões tomadas pela equipe do PIM, além de fornecer ideias pertinentes ao trabalho efetuado. Para Gabriela Vaz, o momento que vivemos é muito diferente de tudo que já passamos e certamente não era esperado. “Ficou ainda mais evidente nosso papel como visitador, mesmo com toda insegurança e medo que o período nos trouxe. No início, estávamos muito perdidos, pois pareceu que nossa função era supérflua, reduzindo nosso trabalho. Porém, as famílias nos mostraram que nosso trabalho vai muito além disso, somos facilitadores, pontes entre a comunidade e a rede de serviços, levamos informação e atenção a cada indivíduo que acompanhamos, mesmo de longe. Por diversas vezes foi possível notar que a informação que passamos foi espalhada, seja para uma pessoa amiga, vizinha ou familiar, foi possível mudar a vida de alguém, mesmo que por um detalhe. Seja levando uma atividade para o desenvolvimento das crianças, conversando com uma mãe sobre a importância da vacinação, ou informando os direitos de uma gestante. Nosso papel é dar atenção à essas pessoas. Eu enxergo o papel de visitadores assim, com muito orgulho em poder dizer que estou contribuindo para a sociedade num geral, mesmo atendendo poucas famílias, das quais tenho muito afeto”, enfatiza a visitadora. 

Criança realizando a atividade proposta pela visitadora Gabriela San Martins Vaz

Vídeos orientativos são distribuídos em Sete de Setembro

Daniely Maciel da Luz, visitadora do Primeira Infância Melhor (PIM), do município de Sete de Setembro, realiza  boa prática que começou no mês de agosto e segue ativa. A ação contou com o apoio da equipe da Secretaria de Educação que convidou os (as) visitadores (as), para palestras virtuais sobre como montar vídeos. Assim, a visitadora montou vídeos com atividades, orientações e enviou via WhatsApp para as famílias atendidas, que por sua vez, realizam a ação, relatando a experiência na visita seguinte, agendada semanalmente. “Quando identifico que uma família está com dificuldades de internet e automaticamente, sem acesso aos vídeos de orientações, eu realizo uma ligação para conversarmos. As mães retornam às atividades propostas durante a semana enviando fotos, vídeos ou relatos por mensagem de texto”, explica Daniely. 

A profissional afirma que além da Secretaria de Educação, o Grupo Técnico Municipal (GTM) do PIM, prestou todo o apoio necessário às famílias, até mesmo consolidando  o encaminhamento para o atendimento de dez sessões com fonoaudiólogo para uma criança atendida por Daniely, de um ano e cinco meses de idade, que possui dificuldades na fala. A visitadora destaca que no início houve receio quanto ao trabalho remoto. “No começo esta nova realidade pareceu difícil, mas foi se tornando uma rotina as mães enviarem as atividades que realizavam com seus filhos. Nas visitas presenciais, aproveitamos para verificar as condições que a família se encontra, se estão se cuidando e ouvimos os relatos das atividades passadas pelo WhatsApp, tiramos as dúvidas e até matamos um pouquinho a saudade dos ‘nossos pequenos’, mas claro, sempre seguindo todo o protocolo de distanciamento, uso de máscaras e álcool gel. Além do acompanhamento, temos o papel de ouvintes, para levar os problemas até o GTM, os anseios e preocupações das famílias. Desta forma, toda a equipe do PIM busca uma solução, demonstrando a essas crianças e cuidadores que eles não estão sozinhos”, destaca Daniely.

Equipe de visitadoras de Sete de Setembro.

O protagonismo familiar é incentivado em Porto Alegre

A visitadora do PIM/PIA de Porto Alegre, Mayelin Daiana da Silva, a partir de meios como Whatsapp e ligações telefônicas manteve contato com as famílias, sempre orientando e estando atenta para uma escuta qualificada sobre questões diversas e relacionadas a covid-19. Ademais, nas famílias que não possuíam estes recursos o trabalho em rede foi fundamental para alcançá-las e apoiá-las neste momento difícil. Com práticas executadas conforme as particularidades e possibilidades de cada família, a visitadora estimulou o desenvolvimento integral das crianças atendidas, além de colocar os cuidadores em uma posição maior ainda de protagonismo, aflorando em muitos a criatividade, exemplificado quando muitas vezes a mãe realizava além das indicações passadas.

 “A ferramenta que utilizei para adaptar as visitas foi o aparelho de celular, com estratégias múltiplas pensadas na singularidade de cada família. Utilizando meios como conversas por Whatsapp, ligações e chamadas de vídeos para estar em tempo real com as famílias. Por meio destas tecnologias foi possível adequar a visita domiciliar presencial para uma visita virtual. Muitas vezes realizei passo a passo por meio de imagens que ilustravam a criação de atividades com recursos da própria casa da família, estas imagens sempre com linguagem acessível e de fácil compreensão, outras vezes encaminhei via áudio a explicação de atividades, seja por alguma dificuldade de leitura da família ou como forma de aproximação, pois o áudio permite a manutenção de vínculo de forma positiva na medida em que podemos transmitir muitas sensações e emoções através da fala, além disso o áudio abre espaço para que a família também responda por meio dele”, relata a visitadora sobre sua experiência.

A visitadora Mayelin Daiana Da Silva durante seus dois anos no PIM/PIA valorizou o brincar com materiais recicláveis. Este momento foi registrado antes da pandemia de COVID-19.

Proteção ao COVID-19 por meio de brincadeira é utilizada em Porto Alegre

Após dois anos trabalhando como visitadora do PIM/PIA, Bruna Trus Shiavi adquiriu uma escuta atenta das famílias atendidas, algo que não foi modificado mesmo diante do difícil acesso ocasionado pela pandemia. “Nosso trabalho foi modificado durante este ano. Os atendimentos que antes eram apenas presenciais agora estão sendo realizados de maneira remota, por meio de ligações telefônicas, mensagens de vídeo e áudio pelo WhatsApp. Mas, eu mantive os acordos firmados e procurei manter a qualidade do atendimento. Elas sabiam que no horário e dia combinado, eu estaria ali para dar apoio”, relata Bruna.

Uma das atividades realizada por Bruna foi o esclarecimento de maneira lúdica das medidas de prevenção ao novo coronavírus. “Uma das principais atribuições do visitador é contribuir para o desenvolvimento integral da criança, mas a pandemia veio nos mostrar outras formas de acompanhá-la nesse processo de crescimento. Nós tivemos que a adaptar as nossas ferramentas estratégicas para atingir esse objetivo. Umas das atividades que eu encaminhei para às famílias envolveu a prática de lavar as mãos, o cuidador desenhava na mão da criança um monstro que representava o coronavírus e depois a criança tinha que lavar até sair, o objetivo desta atividade era incentivar a motricidade da criança. E em cada vídeo que eu recebia da criança fazendo à atividade dava para sentir o quanto nosso papel é importante, ainda mais nesse momento que as relações estão tão frágeis”, afirma Bruna.

Antes da pandemia, Bruna Trus Shiavi realizava o vínculo com as famílias por meio do atendimento presencial.