Família

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A família é, na sociedade atual, a instituição que desempenha o papel central e insubstituível de atender às necessidades de desenvolvimento da criança”. Rede Nacional Primeira Infância, 2010

Para o PIM, família constitui espaço primordial privilegiado na efetivação de suas ações e é devidamente valorizada em suas possibilidades de definição e investimento de seus projetos de vida, as capacidades para educar, cuidar e proteger suas crianças. É entendida como lugar de construção de potencialidades, em que seus elementos figuram a informalidade nas relações que possam estar firmadas através de laços de parceria e afeto, mais que enquadradas em papéis sociais enrijecidos por normas e imposições incoerentes e nem sempre agregadoras. Amor, afeto e carinho são os quesitos indispensáveis aos pais e cuidadores, cuja responsabilidade inclui a acolhida de orientações para estimularem seus filhos.

O desenvolvimento das competências familiares caminha lado a lado com o resgate da confiança, autoestima e segurança para assumirem o protagonismo pelo cuidado, a proteção e educação de seus filhos. Bowlby (2006a) e Winnicott (1998) destacam e a experiência do PIM confirma que as experiências infantis são fundamentais no processo de configuração e estabelecimento de vínculos afetivos futuros.

É importante enfatizar a plena abertura ao acolhimento das diferenças, promovidas através da prática do PIM. As diversidades, por si só, projetam uma amplitude do modo como são estabelecidos os olhares, os contatos, as atitudes e ações que dão substância e singularidade às ações desta política pública. Mas é no espaço familiar, entendido como o lugar onde laços afetivos e de convivência se estabelecem e se sustentam, que as ações do PIM têm sentido. E é aí, neste lugar onde a vida acontece, que crianças, pais, mães ou cuidadores, independente dos laços biológicos, são concreta e simbolicamente mobilizados.

As diversidades étnicas e culturais, antes de desafios, são potencialidades. Fortalecer as famílias, então, inclui a relação dialógica que percebe, respeita e aceita o outro na sua inteireza e singularidade, numa atitude de abertura que transcende um dizer e um escutar puro e simples. Há aí um ‘chamado’ para o compromisso, para a corresponsabilização e, sobretudo, para uma vivência participativa e solidária. Neste contexto, são respeitadas todas diferenças de origem cultural, raça ou cor, residência urbana ou rural, de área quilombola ou indígena. Se são famílias homoafetivas, ou não; se agregados por amizade ou convivência, não importa. Interessa a relação estabelecida e a saúde desta, sua disponibilidade e compromisso para cuidar, educar e proteger suas crianças.