O PIM e a legitimação das competências familiares

protagonismo-familiar

A política Primeira Infância Melhor (PIM) têm como um de seus eixos de sustentação – talvez o principal – a ênfase no protagonismo familiar. Na prática, isto traduz-se através das atividades propostas com o papel da família como principal ator do desenvolvimento de suas crianças. Retoma-se a concepção de Educação Infantil como sendo algo maior que a Educação institucional (a escola). Devolve-se, restaura-se, resgata-se a competência da família como principal responsável no processo de Educação da criança – no entanto, com a oferta de suporte da rede para isto, ou seja, informando a família e/ou cuidadores sobre a melhor forma de conduzir o desenvolvimento integral infantil.

A família, uma vez que retoma sua responsabilidade/responsividade na condução da formação de suas crianças, encontra-se no impasse de saber fazê-lo. É este, e não qualquer outro, o papel do PIM: o suporte. A família não tem obrigação de saber como fazer isso, mas compreende e comprova que dispõe dos recursos necessários à promoção do desenvolvimento sadio de suas crianças, necessitando apenas de orientação sobre como fazê-lo. Para além da articulação da rede, no que diz respeito às condições de uma vida digna, a família conta com orientação específica e personalizada, contemplando as demandas circunstanciais de desenvolvimento da criança, levando em conta o meio em que vive, os recursos de que dispõe e a cultura em que se encontra inserida. Os Visitadores são os profissionais capacitados e a observar, no contexto de vida das famílias, as possibilidade que elas têm de promover o desenvolvimento integral de suas crianças, com base nas demandas que constituem o desenvolvimento infantil.

À medida que compreende, através da aplicação da metodologia, que pode oportunizar  estimulação adequada a suas crianças, a família recupera e/ou fortalece sua autoestima – muitas vezes perdida – movendo-se da posição de quem é “recebedora” de tudo o que lhe puderem disponibilizar, para a posição de protagonista. Ou seja, a família, como instituição, recupera um papel – em muitos aspectos destituído – e, ao mesmo tempo, é munida de condições para desempenhá-lo. Ao contrário do que seria uma intervenção de caráter paternalista, o PIM capacita, habilita, instrumentaliza a família para o que é, provavelmente, seu maior papel: educar suas crianças.

Não há, em instância alguma da sociedade, alguém que substitua o papel da família, simplesmente porque não há instituição outra, que detenha esta competência. Se a família não for “capaz” de ser a base de suas crianças, ninguém mais na sociedade o será. A relevância do papel da família é inquestionável, e talvez tenha sempre sido – o diferencial desta política apenas o legitima.


 

3 Comentários

  1. o trabalho na primeira infância é satisfatório gratificante principalmente para quem é professor de educação infantil.

  2. é importante essa preocupação com a primeira infância, pois quando algumas questões são solucionadas e trabalhadas desde cedo a criança se torna um adulto bem resolvido.

  3. Para desenvolver um trabalho gratificante na primeira infância é importantíssimo envolver também a família, pois um é complemento do outro

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