No Boletim de Inverno de 2014 do Early Development Instrument (EDI), do Offord Centre for Child Development (Universidade McMaster de Toronto/Canadá), são destacados locais no Canadá e fora dele que usaram com sucesso o EDI. Nesta edição, são apresentadas as contribuições de Manitoba e Brasil. Entre as experiências deste último, está o Primeira Infância Melhor (PIM), política pública do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Confira a matéria original completa e, abaixo, traduzida para o português:

Avaliação da política Primeira Infância Melhor: EDI contribuindo para a sensibilização do Desenvolvimento na Primeira Infância no Rio Grande do Sul, Brasil

À luz do crescente reconhecimento da importância do Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI) no Brasil, o programa pioneiro Primeira Infância Melhor (PIM) foi lançado em 2003 no Estado do Rio Grande do Sul. O PIM foi desenvolvido com o apoio local dos governos estadual e municipais, bem com o apoio internacional da Unesco e do Unicef. O objetivo do PIM é “proporcionar orientação às famílias, com base em sua própria cultura e experiências, para permitir que elas promovam o desenvolvimento integral de suas crianças desde a gestação até os seis anos”. Em 2006, o PIM foi estabelecido como uma política de Estado voltada especificamente para gestantes e crianças com menos de três anos de idade residentes em áreas socialmente vulneráveis.

Em dez anos de atuação, o PIM atingiu 53% das cidades (264) no Rio Grande do Sul e outros 101 municípios foram capacitados para implementar o Programa. Mais de 2.600 visitadores estão apoiando 8.091 gestantes e 59.334 crianças e suas famílias através de uma abordagem intersetorial, com base na família e na comunidade, que integra educação, saúde e serviços sociais, ao nível municipal. Além das visitas domiciliares semanais que concentram-se na educação parental e em questões relacionadas com a saúde da família e bem-estar, o PIM lidera e dá suporte a muitos outros programas, como alfabetização e atividades recreativas, alocação de recursos para as famílias vulneráveis ​​(por exemplo, registro de famílias em programas sociais), oficinas e mobilização da comunidade do bairro para trazer as questões de DPI à luz e para reduzir a violência. Muitos outros estados brasileiros foram inspirados e / ou apoiados pelo modelo PIM para desenvolver iniciativas centradas na DPI, por exemplo, o Programa Primeiríssima Infância, realizado em quatro cidades do Estado de São Paulo; o Programa Infância Rural no Nordeste (PIRN), na região Nordeste; e, recentemente, o Projeto Primeira Infância Ribeirinha (PIR), com as comunidades ao longo do rio na região Norte.

Desde 2009, o Offord Centre for Child Studies (Centro de Estudos da Criança Offord) vem colaborando na primeira avaliação estruturada do impacto do PIM, usando o EDI. Esta colaboração foi iniciada com a visita de Fraser Mustard à Porto Alegre em 2008 e sua grande consideração pelo trabalho que está sendo feito pelo PIM. O primeiro passo foi a tradução e adaptação cultural do EDI para o Português, que foi um esforço conjunto que incluiu peritos provenientes do Centro de Estudos Luis Guedes (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS), a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (São Paulo) e a equipe do PIM. Em 2010, o projeto de avaliação EDI-PIM foi desenvolvido para avaliar a prontidão escolar entre crianças de 4 e 6 anos de idade que participaram e que não participaram no PIM antes da entrada na escola. Em 2011, depois da conclusão de um estudo piloto, foram coletados dados de 654 crianças e suas famílias, residentes em oito cidades representativas do Rio Grande do Sul. Os resultados do estudo demonstraram uma pontuação do EDI marginalmente maior entre as crianças egressas do PIM quando comparadas com crianças não-PIM, em seu primeiro ano na escola. Uma limitação do estudo foi o insucesso em equiparar o grupo PIM e o grupo não-PIM em relação às características demográficas. Os resultados de crianças atendidas pelo PIM sugeriram que elas se beneficiaram da maior participação no programa, especialmente na linguagem e no domínio cognitivo; e que as crianças de famílias de baixa renda foram melhores tanto em termos de escores médios de EDI na maioria dos domínios, bem como em vulnerabilidade global. Análises futuras sobre o estudo EDI-PIM estão agora sendo preparadas para futura publicação.

A pesquisa de avaliação EDI-PIM destacou a necessidade de um acompanhamento longitudinal em DPI no Brasil e de uma avaliação mais abrangente do impacto do PIM. Ao mesmo tempo, a pesquisa EDI-PIM tem reforçado o reconhecimento da iniciativa PIM e criado novas formas de engajar os decisores políticos locais, a sociedade civil e os profissionais da Saúde e da Educação em parcerias de promoção do Desenvolvimento na Primeira Infância.

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