O Primeira Infância Melhor (PIM), enquanto programa estratégico do Governo do Estado, atende famílias com gestantes e/ou crianças entre 0 e 6 anos de idade, atuando diretamente na promoção da interação parental positiva, do desenvolvimento integral infantil e do acesso à rede de serviços. Sua eficácia se dá, também, no desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais que podem servir como fator de proteção à violência, o que é evidenciado no estudo desenvolvido pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) publicado em inglês no último dia 08 de fevereiro na revista Development in Practice: Stimulating Thought for Action com título “Programas domiciliares de primeira infância e violência escolar: evidência do brasil” (em tradução livre).

Durante o estudo, os pesquisadores Marcos Vinicio Wink Junior (professor do Departamento de Ciências Econômicas da Udesc), Felipe Garcia Ribeiro (professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pelotas – UFPel) e Luis Henrique Zanandrea Paese (cientista de dados e estudante de Ciências Econômicas da UFRGS), avaliaram os impactos do programa sobre o comportamento violento de alunos do ensino fundamental.

“Recolhemos os dados das edições de 2013 e 2015 da Prova Brasil que contêm informações sobre questões ligadas ao comportamento violento por parte dos estudantes do quinto ano escolar, algo que nos permitiu investigar se nas escolas com potencial de jovens egressos do PIM e municípios que implantaram o programa é menos frequente esse tipo de ocorrência, como abusos físicos e verbais, passando por ataques e ameaças, chegando até mesmo em posse de fogo”, explica Marcos.

Os resultados da investigação sugerem redução de até 10 pontos percentuais nos indicadores avaliados. “Aprendemos com nossa pesquisa que o PIM ajudou a reduzir determinados comportamentos violentos nas escolas, especialmente aqueles relacionados a abusos físicos e verbais, ataques ou ameaça e roubo ou furto”, destaca.

Além disso, há evidências de que os efeitos são mais fortes conforme mais cedo a criança recebe a intervenção do programa, ou seja, antes dos três anos de idade. “Estes resultados estão em linha com o que se esperava e conversam com outras pesquisas que estão sendo realizadas sobre o PIM que apontam evidências de melhor comportamento na adolescência, especialmente quando o programa foi estabelecido por mais tempo no município”, afirma o pesquisador.

O estudo conclui ainda que a redução da violência escolar está negativamente associada à criminalidade futura e positivamente associada ao acúmulo de capital humano e que, especialmente para países em desenvolvimento, esta análise pode contribuir para o embasamento de políticas de segurança pública de longo prazo e para a avaliação do PIM.