Programa Democracia dá destaque aos 18 anos de atuação do PIM

01/12/2021

A edição da última terça-feira (23) do Programa Democracia, da TV Assembleia, foi dedicada ao aniversário de 18 anos de existência do Primeira Infância Melhor (PIM), política pública gaúcha, pioneira no Brasil, que atende famílias e crianças em situação de risco e vulnerabilidade social com o objetivo do desenvolvimento integral na primeira infância. 

O apresentador Antônio Czamanski entrevistou a coordenadora adjunta do PIM, Carolina Drugg, e Vital Didonet, especialista na área e membro fundador da Rede Nacional Primeira Infância. A reinvenção feita pelo PIM no período da pandemia e as aprendizagens advindas desse período de restrições foram o tópico inicial da conversa. “Uma das grandes preocupações que nós tínhamos era não nos tornarmos ausentes naqueles territórios, […] como política essencial nós precisávamos manter os atendimentos às famílias”, comentou Carolina. 

Confira a entrevista completa

O PIM começou a trabalhar de forma remota na pandemia. Para a coordenadora Carolina, um dos maiores aprendizados advindos das restrições foi sobre a importância dos vínculos construídos pelo PIM com as lideranças comunitárias, serviços, movimentos sociais e organizações presentes nas comunidades atendidas. “No final, foram esses vínculos que nos permitiram estar presentes mesmo quando não estávamos fazendo a visita presencial”, explicou. Também foi lembrada a desigualdade no acesso à internet e as dificuldades que isso trouxe para o atendimento remoto a muitas famílias. Com o aumento dos índices de vacinação, as visitas presenciais voltaram a ocorrer, seguindo os protocolos sanitários de prevenção às contaminações.

O nascimento do Primeira Infância Melhor (PIM) aconteceu em 2003, em um contexto de redução da mortalidade infantil no RS, avanço na cobertura da vacinação infantil e melhoria da nutrição. O PIM surgiu em um momento em que “As pautas consagradas no cuidado com as crianças estavam avançando, e haviam vários movimentos nacionais e internacionais nos dizendo que olhar para a criança precisava ser mais do que olhar para a sua sobrevivência”, então, o PIM se propôs a olhar para pautas como o brincar, a convivência familiar e comunitária, e o papel da família nesse cuidado, ela concluiu. 

Em seguida, foi criada a Rede Nacional Primeira Infância e outros programas e  políticas pelo país que olham para a criança em sua totalidade. Esses movimentos na esfera das políticas públicas, se fundamentam em uma ampla base de conhecimento científico produzido sobre o tema. Vital Didonet destacou  que sobretudo no século XX, a ciência apresentou sólidas bases para dizer que os primeiros anos de vida são os mais decisivos para a existência humana. 

“Uma infância descuidada, com grandes traumas, violências, dificuldades e abandono, […] sobretudo aquelas de caráter psicológico e afetivo, são as que criam  fagos, marcas muito dolorosas que vão permanecer”, explicou. Desde Freud até a neurociência, com a capacidade de observar por computadores o cérebro de bebês, crianças e adultos, foi mostrado que privações sérias na infância prejudicam o desenvolvimento do cérebro, e que as interações familiares positivas e suficientes nessa fase são essenciais para criar estruturas cognitivas, afetivas e sociais sobre as quais se construirá a personalidade. 

Em 2022 o PIM pretende ampliar sua cobertura e, para tanto, o Governo do Estado ampliou o valor do incentivo financeiro repassado aos municípios. O Programa também inovou com a implantação de uma plataforma de formação em EAD para as equipes municipais, além de estar participando ativamente da construção do Plano Estadual dos Direitos das Crianças na Primeira Infância.